Dica de saúde: no mês de prevenção à cegueira, informe-se sobre cuidados básicos

O TRT5-Saúde encaminhou o texto abaixo, que faz parte da campanha “Abril Marrom”, pela prevenção às diversas formas de cegueira. A autoria é da médica Camila Koch, do Hospital Humberto Castro Lima, e lembra que algumas causas de deficiências visuais são silenciosas.

 

Os principais entraves para uma boa leitura

Você já desistiu de ler um livro por cansar rápido de ler? Ou já precisou pedir ao colega de trabalho para ler aquele rodapé numa folha do trabalho porque você não consegue mais? Muitas pessoas se queixam de dor de cabeça ou vista cansada e, por isso, abandonam um livro que tanto estavam ansiosos para ler. A dificuldade de visão pode prejudicar não somente o lazer, mas também em ambiente profissional.

Os principais problemas que dificultam a leitura são erros refracionais (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia) que corrigimos, na maioria das vezes, com óculos. Lentes de contato podem ser boas opções, é necessário conversar com seu oftalmologista.

Entre os principais problemas de visão relatados nos consultórios do oftalmologista, estão os erros refracionais – miopia, hipermetropia e astigmatismo são os mais comuns. Nas crianças, muitas vezes, a dificuldade com a visão é equivocadamente confundida com a dificuldade de aprendizagem. A dificuldade de leitura (Presbiopia) geralmente é iniciada após os 40 anos de idade. Ainda não é completamente compreendida sua causa, mas tem relação com o envelhecimento da

musculatura ciliar que é responsável pela acomodação necessária para focalizar as imagens próximas. Nesse processo, nossos músculos ciliares se contraem e, por estarem ligados ao cristalino, o modificam, aumentando seu poder para permitir uma boa visão de leitura. Essa contração é involuntária e diminui com a idade. Além da musculatura, nosso cristalino torna-se mais espesso, o que parece estar envolvido também na presbiopia.

A iluminação também influencia na qualidade de nossa visão, principalmente em pacientes idosos, que podem ser portadores de catarata. Orientamos um ambiente bem iluminado e, caso haja necessidade, deve-se utilizar um foco de luz direcionado para o local de leitura. A posição sentada é a mais fisiológica para leitura, pois, além de manter uma distância adequada do livro, a coluna vertebral mantém uma posição mais anatômica. Outro aspecto importante a ser destacado é o uso adequado de óculos e lentes de contato, que devem sempre ter uma prévia prescrição médica.

Devemos lembrar que para transmitir os estímulos visuais ao nosso cérebro, a luz necessita de meios transparentes (filme lacrimal, córnea, cristalino, vítreo) para penetrar nos nossos olhos e nos fazer enxergar. Quando algum desses meios não se encontra translúcido, dificulta a passagem da luz, prejudicando nossa visão. Uma doença comum em idosos e que dificulta a visão é a catarata (opacidade do cristalino) corrigida com procedimento cirúrgico. Um detalhe importante é que durante a leitura piscamos os olhos ao redor de 40% menos do que deveríamos, ocasionando uma

deficiência no filme lacrimal, o que pode causar desconforto após um período longo de leitura, principalmente em usuários de lente de contato, que têm a oxigenação da córnea já diminuída, alterando o filme lacrimal e fazendo com que alguns pacientes prefiram usar óculos para leituras mais longas.

O glaucoma é uma doença na maioria das vezes silenciosa e que se não tratada, pode levar à cegueira, sendo em adultos a maior causa de cegueira irreversível. O glaucoma pode ser detectado no exame oftalmológico de rotina. Já a catarata é a maior causa de cegueira reversível em países como o Brasil, em desenvolvimento. E nos países desenvolvidos a DMRI (doença macular relacionada à idade). Em crianças, as maiores causas de cegueira são erros refrativos (corrigidos com óculos), opacidade de córnea (por deficiência vitamínica) e catarata congênita. Estas e outras alterações oftalmológicas são detectadas na consulta de rotina com seu médico.

Em apoio à campanha do “ Abril Marrom”, o Hospital Humberto Castro Lima deseja lembrar da importância de cuidar dos seus olhos, visto que algumas causas de cegueira são silenciosas.”

 

Camila Ribeiro Koch / CRM 20722

Graduada em medicina pela Universidade Federal Rio Grande, doutora pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Medicina pela Universidade Nova de Lisboa (Portugal) e pelo Instituto Barraquer de Oftalmologia (Barcelona). Especialização em Oftalmologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Fellowship em Catarata: Hospital Humberto Castro Lima (IBOPC). Observership em Segmento Anterior: New York Presbyterian Weill Cornell (New York). Observership em Uveítes: The Wilmer Eye Institute at Johns Hopkins Hospital (Baltimore). Atua com Oftalmologia Clínica e Cirúrgica com ênfase em Catarata e Cirurgia Refrativa. Na área Acadêmica atua como Preceptora da Residência Médica do Hospital Humberto Castro Lima.