Setembro amarelo – prevenção do suicídio: vamos conversar?

A Seção de Psicologia do TRT5 elaborou o texto abaixo com a finalidade de informar e promover a reflexão a respeito da prevenção do suicídio, que é coberta pela campanha setembro amarelo, considerando também a palestra sobre o assunto que acontecerá nesta sexta (29), às 9h30, no auditório do 11° andar,  Fórum do Comércio.

 

Setembro amarelo – prevenção do suicídio: vamos conversar?*

 

Setembro amarelo é uma campanha ampla de conscientização, implementada em 2015 e tem por objetivo alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e o que fazer para preveni-lo. Nesse sentido, cabe destacar o quanto a desinformação sobre o fenômeno do suicídio gera, por vezes, tabu e preconceito que se traduzem em julgamentos prévios, interpretações superficiais, reações de indignação e punição que podem atuar como entraves para o acesso da pessoa em sofrimento a um suporte adequado. Dito isto e tendo em vista a responsabilidade de atuar com foco preventivo, esta Seção de Psicologia reuniu alguns pontos importantes sobre a temática, de modo a contribuir com um olhar ampliado e informativo junto ao corpo funcional deste Regional.

1) A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o suicídio como um grave problema de saúde pública mundial, responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo. A estatística supera a soma de todos os óbitos causados por homicídios, acidentes de transporte, guerras e conflitos civis ao ano. Aproximadamente 1 milhão de pessoas morrem por suicídio a cada ano, sendo esta a terceira causa de morte entre jovens e estando o Brasil em oitavo lugar no ranking mundial. No Brasil, conforme números oficiais, ocorrem 32 mortes/dia, taxa superior às das vítimas de Aids e da maioria dos tipos de câncer.

2) Na condição de problema no âmbito da saúde pública, o suicídio precisa ser considerado na perspectiva de fala social, e, portanto, é de responsabilidade de todos olhar para a temática e se implicar em preveni-la.

3) Quem está envolvido na temática do suicídio (ideação, planejamento e/ou ato) precisa urgentemente ser acolhido, escutado com atenção e respeitado. Precisa de ajuda, suporte, encaminhamento assertivo imediato e não de críticas, julgamentos, distanciamento ou punição.

4) Atenção aos seguintes sinais e sintomas: referir grande sofrimento; adotar uma perspectiva pessimista diante da vida; fazer uso de expressões autodepreciativas, geralmente acompanhadas de sentimento de culpa, incapacidade e rejeição; demonstrar tristeza profunda; frustração; irritabilidade; choro frequente; apatia; dificuldade de interação; isolamento social; baixa autoestima; insônia; comportamentos agressivos dirigidos para si ou para o outro etc.

5) Alguns fatores de risco que, quando presentes, podem agravar os sinais acima e, portanto, requerem atenção: manifestação de sofrimento psíquico; tentativa de suicídio anterior; histórico de suicídio na família; histórico de violência; rede de suporte social fragilizada; dificuldade de lidar com perdas; acesso a meios letais.

6) Conforme já foi anteriormente explicitado, não é incomum que a temática do suicídio seja interpretada de modo superficial e distorcido. Portanto, vamos ficar atentos aos seguintes mitos e equívocos (abaixo) que, se estiverem no entorno do suicídio, podem vir a dificultar um encaminhamento assertivo e adequado. Portanto, fique atento em não cometê-los!
    6.1. “Quem quer se matar não avisa. Quem ameaça não se mata”
    6.2. “Falar sobre o suicídio incentiva o ato”
    6.3. “O suicida é um doente mental. Toda depressão leva ao suicídio”
    6.4. “Quem comete uma tentativa de suicídio pode cometer mais de uma vez”
    6.5. “O suicídio é falta de Deus, falta de vergonha ou falta do que fazer”
    6.6. “Frases de incentivo evitam o suicídio”
    6.7. “Quem tenta o suicídio quer chamar atenção”

7) Síntese do que fazer para prevenir o suicídio: observe os sinais de quem está desistindo da vida; pergunte o que está acontecendo com o mesmo; escute com atenção, interesse e respeito a sua demanda; ofereça ajuda, atue como rede de suporte e encaminhe o caso para um profissional especializado.

8) Tenha acesso a contatos necessários para viabilizar encaminhamentos emergenciais: Corpo de Bombeiros (193); SAMU (192); em caso de envenenamento ou intoxicação ligue para o Centro Antiveneno (0800-2844343); acione o Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (NEPS) – disponibiliza tratamento psicológico, psiquiátrico e de terapia ocupacional àqueles que estão em risco de suicídio. Faz-se importante esclarecer que a triagem é feita exclusivamente através do telefone (71) 33169440; acione o Centro de Valorização da Vida (CVV) – 141 ou <https://www.cvv.org.br/> – este Centro realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias.

    Por fim, reiteramos que os itens aqui compartilhados não almejam esgotar o tema do suicídio, tão complexo, multifatorial e prevalente na atual sociedade contemporânea. Entretanto, pretende-se olhar para ele, conhecer alguns dos seus fatores de risco, refletir criticamente sobre o papel de cada um e de todos por meio de uma atuação engajada, empática, responsável e assertiva. Não dá para se perder tempo quando a vida está em perigo! Vamos dar continuidade à presente reflexão? Aos interessados, basta se inscrever na palestra “A prevenção do suicídio com um olhar na influência do ambiente de trabalho” ministrada pela psiquiatra Ana Paula Torres (membro da Neps) e a ser realizada neste TRT da 5ª Região esta sexta-feira (29.09.17) das 9h30 às 11h no auditório do Fórum do Comércio (11º andar). Ressalta-se que a realização da palestra é uma iniciativa conjunta da Coordenadoria de Projetos Especiais, Seção de Qualidade de Vida e Coordenadoria de Saúde. As inscrições podem ser realizadas via e-mail secaoqualidadedevida@trt5.jus.br.

Esperamos você!

*Sara Maria Cunha Bitencourt Santos
Analista judiciário/psicologia
Seção de Psicologia – Coord. de Saúde
TRT 5ª Região

 

Referências que deram subsídio ao presente material:

CFM. (2014). Suicídio: informando para prevenir

CFP. (2013). O suicídio e os desafios para a psicologia

CIAVE. (s/d). Cartilha Suicídio: enigma e estigma social

CVV. (s/d). Falando abertamente sobre o suicídio.

NERY, F. (2017). Suicídio, um mal silencioso